Resta essa bravura de caminhar, resta esse olhar involuntário, essa briga, essa revolta que nos é própria...Resta esse sorriso reteso em pleno peito a cavalgar, resta essa maluquice de ser ver tonto e pronto pra amar...Resta o abrigo, esse aconchego de colo, essa divindade de tentarmos ser pessoas normais, divinamente normais...Resta esse mar que nos atordoa por não caber todo dentro de nós, resta esse menino nascido em rimas à cata de um verso na pista do mestre...Resta essa alegria de se emocionar assim à toa, resta essa paixão que povoa dias e noites...Resta essa poesia...
Escrito por Felipe às 10h50
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Julião amava Tereza que o correspondia, casaram-se, amaram-se e depois...perderam o gosto do beijo, do sorriso, da magia dos dois em um...Vieram os filhos, meninos ao desleixo, amor virou fração, bocas repartidas...Tereza diz sim e não, faminto é Julião, Tereza libera, casal divido...Torcida aplaude, vaia e grita, se diz contrita, dois a um prá Tereza...Sorrisos de espinhos, meninos sem ninhos, olhar em redemoinho, cinco a um prá Julião...Bafo da tarde, primavera chegou, rituais de corpos, espelhos dilacerados...Nenhum remendo, fora, dentro...Não há aroma que combata esse mofo...Ah saudoso poeta dos amores por acaso, por castigo alguém amou, alguém amava outrem e todos se amavam como enquanto...Ah poeta como torna-se difícil falar de amor em tempos que a ciranda não mais funciona...
Escrito por Felipe às 02h22
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